10 junho 2013

Os Dilemas de Dilma: pibinho & inflação



O meio do ano chegou trazendo certezas e incertezas, medos antigos e esperanças novas. Nesse sábado o Brasil passa a prender os olhares de grande parte da população mundial com o ponta pé inicial da Copa das Confederações, o último grande teste para a Copa 2014. Sessenta e quatro anos após ser sede pela primeira vez deste evento mundial, nosso país se credencia a responder presente na lista de países do primeiro time para os grandes eventos.
Mas ao mesmo tempo que o Brasil vive essa expectativa ufanista, que nos aponta um país moderno, com infraestrutura renovada e podendo sentar-se à mesa das grandes decisões mundiais, o brasileiro começa a vislumbrar um fantasma do passado chamado inflação. As novas gerações nascidas após a segunda metade da década de 90 só sabem dela por ouvir os pais falarem ou porque estudam seu conceito nos bancos universitários. O medo da volta do fantasma cresce, pois a economia vem apontando para um aumento de preços com estagnação econômica. Os preços dos produtos, principalmente consumidos pela grande massa assalariada sobem ao mesmo tempo em que o Brasil vem amargando crescimento do PIB inferior ao Paraguai por exemplo. Não é preciso ser um especialista para perceber que a situação da economia já começa a respingar na aprovação da presidenta Dilma que viu sua popularidade despencar oito pontos percentuais. De um lado o governo promove a facilitação do crédito via bancos estatais incentivando dessa forma o consumo, porém do outro lado preocupado com o aumento da inflação eleva novamente a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Fazendo uma alusão é como dirigir um carro acelerando e ao mesmo tempo puxando o freio de mão. O reflexo político é evidente e um quadro que apontava para uma reeleição garantida da presidenta Dilma, já começa pelo menos a jogar a decisão eleitoral para um segundo turno.
Mas se na economia Dilma segura o leme em um mar revolto, é inegável que no aspecto político a sua forma de condução tem arrebanhado cada dia mais aliados, aliás, uns líderes políticos que agora bradam Dilma, Dilma e já desfraldam e agitam a bandeira vermelha da estrela amarela, até pouco tempo militavam em palanques completamente opostos. E por que mudaram? Basta ver as ações principalmente na agenda social da redução da miséria e do acesso a habitação para começar a perceber por que esses políticos acostumados com o poder pularam de palanque.
Os municípios estão recebendo mais verbas federais. Jaraguá do Sul, por exemplo, que em 2003 recebeu pouco mais de 20 milhões de reais, no ano passado recebeu em verbas oriundas de Brasília 81,95 milhões aproximadamente e em 2013 já recebeu 87,8 milhões. O governador Colombo só está conseguindo desenvolver o Pacto por SC graças às benesses do governo federal.
O resumo da ópera é que se no segundo semestre Dilma conseguir exorcizar de vez o fantasma da inflação e o país apresentar taxas mais significativas de crescimento econômico a oposição tem tudo para ficar sem discurso e a fatura política de outubro de 2014 ser fechada no primeiro turno. Mas se o fantasma voltar de vez e o país continuar patinando quem sabe veremos o 37º brasileiro a ocupar a vaga de presidente da república federativa do Brasil.

31 maio 2013

Tudo Contra a Indústria





O norte nordeste de Santa Catarina tem indiscutivelmente sua principal força econômica nas indústrias. Metalúrgicas, mecânicas, têxteis, químicas e alimentícias fazem a famosa pujança regional. A rotina das entradas e saídas dos trabalhadores das fábricas, o vai e vem dos caminhões que entram com matérias primas e saem carregados rumo aos portos e rodovias, é retratada até no hino de cidades como Jaraguá do Sul quando entoa “a indústria a todo o vapor”. O aumento populacional principalmente nas décadas de 80 e 90 que fez dobrar em pouco mais de duas décadas a população das cidades daqui. Hoje essas mesmas indústrias made in SC estão ameaçadas. Claro que a crise não atinge apenas as indústrias catarinenses, infelizmente tudo isso está ligado ao contexto da desindustrialização brasileira. 

Leis trabalhistas getulistas, infraestrutura de transportes composta por ferrovias sucateadas, rodovias ultrapassadas e mal conservadas, portos com logísticas de despacho e embarque de mercadorias da época do império, falta de qualificação da mão de obra, carga tributária literalmente lesiva, praticada pelo governo justamente contra o empreendedor que o único crime que comete é o de gerar emprego e renda. Sem falar da guerra cambial mundial protagonizada principalmente pela China. Para se ter uma ideia até mesmo os produtos que daqui saem com o made in Brazil, um quinto deles é oriundo do gigante asiático. Estamos entregando nosso mercado aos chineses. Estamos importando mais que exportando e o que exportamos significativamente são commodities tais como minérios e grãos e não produtos industrializados. Hoje para se manter, muitas empresas tem optado apenas em colar etiquetas, visto que o produto chega via containers e de olhinhos puxados.

O crescimento pífio do PIB, aliás, sendo chamado de “pibinho”, retrata a economia brasileira num ritmo desanimador de crescimento, em 2012 de 0,9 %, e nesse ano dificilmente chegará ao crescimento previsto de 3%. Para se ter ideia nosso crescimento na América Latina, fica na frente apenas do Paraguai, vou repetir do Paraguai. A redução de IPI para carros e linha branca, deu um fôlego ao Comércio, mas para a Indústria serviu apenas para baixar estoques, e não para incentivar a produção. É uma política de remendos pontuais, sem ações estruturais. As prateleiras do comércio cada dia mais ocupadas por produtos made in China e a indústria nacional agonizando.
Chega de colocar a culpa na crise internacional, na guerra cambial mundial. A indústria nacional pede socorro, a indústria catarinense clama por uma nova política desenvolvimentista que de fato valorize e incentive a perpetuação da vocação econômica regional para que ela continue a todo o vapor não apenas no hino e na bandeira.

27 março 2013

O Bom e o Nada Bom


Por um bom tempo sem escrever aqui no blog, cá estou novamente com os dedos a teclar sobre um assunto bastante recorrente; o trânsito.
Dessa vez não apenas para reclamar, até porque se for apenas para reclamar dele, a fila é grande e minha senha seria uma das últimas.
Hoje quero começar elogiando a adequação feita no trânsito no entroncamento das ruas Erwino Menegotti e Joaquim Francisco de Paula. A re-locação do semáforo de frente do Samae para ali se mostra uma ação corretíssima da Diretoria de Trânsito. Agora aquela via para ficar ideal só falta deixar de ser pátio de manobra de caminhões em processo de carga e descarga. Mas daí já estou querendo demais.
Porém o que não posso deixar de comentar e afirmar é que morrem até poucos motoqueiros no nosso trânsito. Não estou dando uma de amigo da encapuzada de foice na mão, mas basta você observar o comportamento irresponsável e de alto risco de todos os motoqueiros. Já falei aqui, mas repito a diferença; motociclista (a minoria) são os que pilotam motocicletas e cumprem as normas de trânsito. Motoqueiros; a palavra é mistura de motociclista com maloqueiro. Esses não respeitam absolutamente nada, nem a própria vida e muito menos a dos outros, andam em zig zag, querem sempre ser os primeiros a chegar nem que seja no inferno.
Mas por sorte deles, até que morrem poucos motoqueiros.

21 março 2013

Creche de Idosos



Artigo enviado pelo Professor Caius Ananda Xavier dos Santos

Foi ventilado na Câmara de Vereadores da nossa cidade (Vereador Jefferson de Oliveira), a possibilidade de implantação no texto abaixo discordo da ideia e justifico porque. Caso ache interessante por favor publique no seu Blog, uma vez que é muito visitado e fomentará um debate saudável sobre o assunto. Acredito que ao invés de uma ação séria, baseada em dados estatísticos, visando a busca no melhor atendimento a população longeva, mais uma vez no fundo estamos usando o tom assistencialista e politiqueiro navegando nas correntezas da irracionalidade. Um grande abraço.

Excelente ideia do nobre vereador Jefferson, isso mesmo ideia porque tal proposta está fora da realidade de Jaraguá do Sul e de muitas cidades brasileiras, na verdade falta conteúdo, embasamento legal (LOAS) e conhecimento de fato. É simples de entender se não temos médico e equipe de trabalho na área da saúde suficiente para atender os munícipes nos hospitais e postos de saúde da nossa cidade, quiçá implantar uma proposta popularmente chamada de "Creche do Idoso". Afirmo isso com a firmeza e tranquilidade de quem esteve a frente da Coordenação dos Idosos de Jaraguá do Sul especificamente no período de 2004/2008. A ideia não é nova e como tal procurei antes de mais nada visitar as cidades que já tinham implantadas as "creches". Na oportunidade observei nas visitas que muitos lugares não tinham infraestrutura suficiente para abrigar os idosos, equipes reduzidas de profissionais, alimentação inadequada e o pior ao final de cada expediente os familiares não resgatavam os seus idosos. No meu modesto entendimento qualquer ação nesse sentido deverá ser cautelosa, tendo em vista que por determinação legal uma vez implantada em nossa cidade, a mesma se obrigará a atender em toda a nossa microrregião. Sendo assim considero que o prudente seria instituir uma comissão, com pessoas com conhecimento na área para averiguar as possibilidades reais, visitar, buscar subsídios necessários para a implantação da proposta. Fora isso estaremos alimentando uma utopia política, baseada em discursos sem conteúdo, meramente eleitoreiros.

Profº Caius Ananda Xavier dos Santos.

03 março 2013

Rau: O Sonho de Benyamin e a Realidade dos moradores




Ao manter o rotineiro hábito de ler o Jornal A Notícia, neste final de semana acompanhei atentamente na coluna do jornalista Claudio Loetz (Livre Mercado) a entrevista com o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Físico-Territorial de Jaraguá do Sul (Ipplan), Engenheiro Eletricista Benyamin Parham Fard.

Ele destaca os seguintes pontos em sua entrevista:

O projeto de desenvolvimento econômico sustentável será apresentado na Associação Empresarial da cidade (Acijs) no dia 11 de março. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Físico-Territorial da cidade (Ipplan) vai contratar consultoria norte-americana para orientar o processo. A Prefeitura quer atrair empresas de base tecnológica. Também prepara a criação de distrito de inovação, algo vital para viabilizar o crescimento e elevar ganhos e receitas.


  • A universidade se integrará à iniciativa do distrito de inovação, que vai se subdividir em três bairros: Nereu Ramos, Rau e Água Verde. O levantamento de quais empresas podem se abrigar no distrito demora pelo menos seis meses.

  •  A ideia é dotar o distrito de um zoneamento próprio, específico. Que terá incentivos e apoio de fundos de pesquisas, como Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Também vão ser dadas vantagens fiscais a empreendimentos que lá se instalarem. Ainda não sabemos se Jaraguá do Sul terá condições de ser polo em fármacos, biomedicina e nanotecnologia.

  •  Vivemos um momento econômico interessante. Algumas poucas empresas tradicionais sempre sustentaram a cidade. Agora, temos de criar um gatilho para desenvolvimento num rumo diferente. Nos últimos dez anos – de 2000 a 2010 – o produto interno bruto (PIB) do município cresceu, mas no comparativo com outras cidades, a curva é quase nula, é de estagnação.

  •  "A região precisa de mais uma subestação de energia elétrica entre CORUPÁ E JARAGUÁ DO SUL. E mais outra, em Guaramirim. Existe negociação avançando com a Celesc."

  •  Jaraguá do Sul é polo econômico da região Nordeste catarinense. Estamos trabalhando num projeto macrorregional para instalação de usina termoelétrica na vizinha Guaramirim. Os prefeitos de Jaraguá do Sul, de Guaramirim e de Joinville são todos empresários e apoiam a ideia. É uma usina para 21 MW e poderá atender população de 850 mil habitantes, em um raio de 40 km.

  •  Grupo chinês nos visitou na semana passada. Para ganharmos empresas com perfil adequado, teremos de oferecer condições como tecnologia de 4G, fibra ótica e muito investimento em educação de ponta.

  •  O projeto completo para a Jaraguá do futuro prevê o inglês como língua oficial do município. Isso, claro, virá no longuíssimo prazo. A sociedade terá de querer fazer isso, rumar nesta direção.

  •  A Prefeitura vai apresentar o projeto de desenvolvimento econômico sustentável de Jaraguá do Sul no dia 11 de março, na Acijs. A prioridade é a busca por empresas de base tecnológica. Em alinhamento com o governo do Estado, criaremos o distrito de inovação.

  •  Devemos explorar, a nosso favor, os clusters econômicos já instalados: têxtil, metalmecânico, de alimentos; e aumentar sua produtividade. O complexo de base tecnológica proposto deve se conectar com as grandes companhias em operação há décadas.

  •  O que mais nos preocupa são os gargalos em infraestrutura rodoviária e ferroviária. É preciso equacionar o drama do escoamento de produção. A BR-280 não duplicada é um enorme problema.

  •  Pretendemos criar mecanismos para facilitar a abertura de empresas no município. Atualmente, demora até 80 dias e queremos reduzir para sete dias a espera do empreendedor para poder iniciar as atividades.

Pelo fato de ser morador do Rau quero fazer algumas ponderações, já que o bairro foi citado pelo engenheiro. O bairro Rau especificamente com cerca de 6.000 habitantes apresenta uma realidade muito distante do vislumbrado pelo presidente atual do Ipplan:

  • O Rau não tem uma escola municipal e a educação básica fica toda concentrada na Escola Estadual Julius Karsten;

  • O Rau tem apenas um Centro Municipal de Educação Infantil (Creche) e há necessidade do aumento de vagas para que as mães possam deixar seus filhos enquanto trabalham;
  • O Rau não tem área de lazer e os moradores precisam se deslocar aos bairros vizinhos do Água Verde e do Três Rios do Sul para aproveitarem as academias ao ar livre;

  • O Rau ainda espera ansiosamente a definição e mais do que isso a construção da ponte ligando ao bairro Amizade;

  • O Rau ainda precisa que seja implantada a tubulação na Rua Waldemar Rau;

  • O Rau espera pela conclusão da recuperação de todas as encostas perigosas reflexos do desastre ambiental de 2008;

  • O Rau ainda espera a conclusão da abertura e pavimentação da Rua Afonso Nicoluzzi;

  • O Rau ainda espera a pavimentação da paralela da BR 280 desde o Chico de Paulo até a Estrada Nova;

  • O Rau ainda espera a recuperação das calçadas destruídas e mal restauradas quando da colocação da rede coletora de esgoto sanitário.

Outra informação importante, o bairro Rau já conta com o Condomínio Industrial inaugurado em julho de 2004 e que apresenta um aspecto de abandono, desde a pavimentação ruim para que as empresas lá instaladas escoem suas produções, a situação precária do sinal de telefonia celular e internet banda larga, sem contar com a necessidade de melhoria no fornecimento de energia elétrica e água para as indústrias.
Calçadas quebradas para a implantação da rede de coleta de esgoto

tentativa de calçada ao lado do Campus da Universidade
Via de acesso ao Condomínio Industrial do Rau

Obras da Rua Afonso Nicoluzzi paralisadas

Vista atual do Condomínio Industrial do Rau

Aspecto do abandono é notável

Placa comemorativa da instalação do Condomínio Industrial em 2004

Placa citando as autoridades de 2004

Atual situação da Rua Waldemar Rau esperando pela tubulação e pavimentação

Entroncamento das Ruas Augusto Demarchi e Pref.José Bauer aguardando pavimentação

Final da Rua Anna Emke lugar que era para sair a ponte

Ruínas da Ponte Rau/Amizade
Até entendo que projetar é bom, é bonito e empolga. Que tal antes de pensar em mudar a língua do município, pensar na instalação de uma escola municipal de ensino fundamental que pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) é de responsabilidade do município no bairro Rau? Que tal olharmos mais a realidade, concluir as obras prioritárias, apoiar as empresas que acreditaram no Condomínio Industrial de 2004, melhorar/adequar às condições do bairro atendendo as demandas da população para depois sim pensar em distrito de inovação, empreendimentos chineses, consultoria norte americana e investimentos no estilo de Abu Dhabi?