13 março 2011

Jaraguá Parou

Essa noite eu tive um sonho de sonhador maluco que sou, eu sonhei com o dia em que a Terra parou, com o dia em que a Terra parou. Essa canção de Cláudio Roberto e Raul Seixas me inspirou a sonhar no dia em que Jaraguá do Sul parou.

Sonhei que ao acordar ouvi a locutora no rádio dizendo bom dia, hoje é quarta feira dia 11 de março de 2015 e você não precisa ir trabalhar, fique em casa, pois Jaraguá do Sul parou. O congestionamento total é de 90 km e toma todas as ruas e o trânsito simplesmente parou. Aconteceu o que se previa e as obras planejadas não foram executadas e a cidade hoje parou. Mesmo o rodízio de placas se mostrou ineficiente e trechos antes vencidos facilmente em 15 minutos, hoje a previsão é de que o tempo seja em média de 2 horas e meia. Abertura de novas ruas, construção de pontes, de elevados, a duplicação das principais vias, a duplicação da BR 280, o estabelecimento de binários. Nada, absolutamente nada saiu do papel e a nossa cidade parou.

O transporte coletivo desacreditado, as poucas ciclovias existentes cada dia mais abandonadas e as calçadas em precárias condições, afugentaram todos os adeptos dos transportes alternativos. Até os lendários projetos do desvio rodoviário e ferroviário apenas ajudam a entupir a gaveta das promessas não cumpridas.

Ufa, que pesadelo! Ainda bem que estamos em 2011 e todas essas obras projetadas até 2015, a maioria delas terá já saído do papel. Essa noite eu tive um sonho de sonhador. Maluco que sou, acordei.

02 março 2011

Só depende de nós

“Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim.”

Charles Chaplin

23 fevereiro 2011

Delegado Deixa Escrivã Nua



A Corregedoria da Polícia Civil de SP arquivou o inquérito que investigava dois delegados suspeitos de abuso de autoridade durante a prisão de uma escrivã de polícia que atuava no 25º DP, no bairro de Parelheiros (zona sul de SP).
Conforme a denúncia, os policiais Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves, ambos da Corregedoria, tiraram a calça e a calcinha de uma escrivã que era investigada pelo crime de concussão, quando um servidor exige o pagamento de propina.
O caso aconteceu em junho de 2009. Ao longo dos 12 minutos do vídeo, a escrivã diz que os delegados poderiam revistá-la, mas que só retiraria a roupa para policiais femininas. Mas nenhuma investigadora da corregedoria foi até o local para acompanhar a operação.
Ao final, o delegado Eduardo Filho, uma policial militar e uma guarda civil algemam a escrivã retiram a roupa dela e encontram quatro notas de R$ 50. A escrivã foi presa em flagrante e, após responder a processo interno, acabou sendo demitida pela Polícia Civil. No mês seguinte, seus advogados recorreram da decisão.
"Foi um excesso desnecessário. Ela só não queria passar pelo constrangimento de ficar nua na frente de homens", disse o advogado Fábio Guedes da Silveira.
Para a Corregedoria, não houve excessos na ação dos dois delegados. Segundo a corregedora Maria Inês Trefiglio Valente, eles agiram "dentro do poder de polícia".
O promotor Everton Zanella foi ouvido no inquérito que investigou os policiais e disse que a retirada da roupa foi uma consequência do transcorrer da operação.
"Houve apenas um pouco de excesso na hora da retirada da calça da escrivã, todavia, em nenhum momento vislumbrei a intenção do delegado que comandava a operação de praticar qualquer ato contra a libido da escrivã", disse o promotor no inquérito.
Além de ser expulsa, a escrivã responde a um processo criminal. A primeira audiência do caso só deverá ocorrer em maio, conforme seus advogados.
Os delegados Eduardo Filho e Gustavo Gonçalves continuam trabalhando na Corregedoria da Polícia Civil. A corregedora os caracterizou como policiais "corajosos e destemidos". A Folha não localizou os dois policiais neste sábado para comentar o assunto.
(Folha de São Paulo)

15 fevereiro 2011

Desmatamento Amazônico


A imagem do satélite mostra a famosa área de convergência do Atlântico Sul. É notável que o efeito do desmatamento amazônico acaba lançando uma grande massa de umidade sobre a região sul e sudeste do Brasil o que provoca essa quantidade de chuva que em muito foge da normalidade pluviométrica da estação.

05 fevereiro 2011

Desassorear é preciso

O maior problema ambiental de nossa região apontado pelo Comitê de Gerenciamento da Bacia do Itapocu é mesmo a ocupação desordenada, que gera a exposição do solo e o assoreamento dos rios. E o problema já vem sendo apontado mesmo antes da criação do comitê.

O que acontece é que não apenas aqui na região, mas principalmente aqui, tudo o que é projeto ou decisão que traz solução e é de interesse público caminha lentamente e se for de caráter ambiental então se torna ainda mais moroso e de maneira geral quando ocorre como se diz por aí o leite já derramou, ou a enxurrada já alagou e a encosta já desabou.

O velho Itapocu e os seus amigos Jaraguá, Garibaldi, da Luz, Molha e Chico de Paulo, nunca estiveram tão assoreados. Lembram em alguns trechos não mais que são rios, mas sim meras valas por onde antes até navegação já ocorreu. Áreas antes reservadas como várzeas para os períodos de cheias hoje são aterros e abrigam casas, bairros e o pior, famílias que sofrem e perdem muito a cada período de chuvas mais intensas.

E o que está sendo feito? Nada! Ou melhor, está sim. Continuamos autorizando ou pelo menos fazendo vistas grossas a invasões de áreas de risco, aterros indevidos das margens dos rios e jogamos cada dia mais e mais materiais e resíduos para dentro das calhas dos nossos cursos de água.

O problema é grave e vai ficar pior ainda nos próximos anos. Algo precisa e deve ser imediatamente feito no sentido de uma macro dragagem de toda a nossa bacia hidrográfica, obviamente respeitando-se todas as normas ambientais. Mas é flagrante a urgência em devolvermos vida e espaço aos nossos rios e não apenas ficar chorando e até blasfemando em toda chuva forte que acontece.

Desassorear é preciso, antes que viver aqui seja impossível.

28 janeiro 2011

Assoreamento

Foto aérea de trecho do rio Jaraguá no trecho entre os bairros Jaraguá Esquerdo e Vila Nova mostrando de forma bastante nítida o quão assoreado está o rio.
Um projeto de dessassoreamento de toda a bacia do Itapocu se faz necessária até para evitar as cada vez mais constantes enchentes.

26 janeiro 2011

Jaraguá é 6º Lugar em Empregos


AS 10 CIDADES CATARINENSES QUE
MAIS CRIARAM EMPREGOS EM 2010

Pos.

Cidade

Saldo de
vagas*

1

Joinville

11.237

2

Florianópolis

8.583

3

Blumenau

7.837

4

Criciúma

4.851

5

Chapecó

4.753

6

Jaraguá do Sul

4.350

7

Itajaí

3.996

8

Palhoça

3.783

9

São José

3.193

10

Brusque

2.655

*Diferença entre contratações e demissões

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

AS 10 CIDADES QUE MAIS CRIARAM VAGAS PROPORCIONALMENTE AO Nº DE HABITANTES

Pos.

Município

Nº de hab.*

Saldo de vagas**

Vagas criadas
(p/ mil hab)

1

Morro Grande

2.890

703

243,25

2

Guatambú

4.675

325

69,52

3

Braço do Trombudo

3.457

214

61,90

4

Nova Trento

12.179

663

54,44

5

Massaranduba

14.668

646

44,04

6

Botuverá

4.468

190

42,52

7

Urussanga

20.222

855

42,28

8

Lindóia do Sul

4.642

195

42,01

9

Araquari

24.814

1.032

41,59

10

Trombudo Central

6.554

263

40,13

*Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Censo 2010

**Diferença entre contratações e demissões

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

04 janeiro 2011

Aeroportos

Santa Catarina que é considerado um dos melhores destinos turísticos do Brasil, porém em se tratando da sua infra estrutura aeroportuária, a situação chega a ser vexatória.

Para destacar apenas três:

  • Aeroporto Internacional Hercílio Luz de Florianópolis
  • Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder de Navegantes
  • Aeroporto Senador Lauro Carneiro de Loyola de Joinville

Instalações acanhadas, pistas de pouso e decolagem curtas e equipamentos eletrônicos de auxílio às operações aéreas inexistentes ou obsoletas.

E SC ainda sonhava em ser uma das sub sedes da Copa 2014?!

30 dezembro 2010

Aprendemos que não era uma loucura descriminalizar a droga

No espaço de uma década, o consumidor de drogas passou de criminoso a doente. A estratégia de combate à toxicodependência aplicada em Portugal rompeu com a abordagem moralista. Hoje é elogiada na Europa, mas há muito por fazer.

É mais do que provável que da herança política de José Sócrates não venha a constar o papel determinante que exerceu na descriminalização da posse e consumo de droga em Portugal. Mas a verdade é que sem o então ministro adjunto do primeiro-ministro, com as tutelas da Toxicodependência, Juventude e Desporto, talvez ainda acreditássemos que o abuso de drogas se vencia dando as mãos e largando com regularidade uma razoável quantidade de endorfinas.

A descriminalização do consumo de drogas resultou de um processo único e irrepetível. Entre 1999 e 2001, uma comissão de peritos nomeada pelo Governo e dirigida por Alexandre Quintanilha elaborou, com base em fundamentos científicos e longe do moralismo que tanto tolhe o discurso ideológico, uma corajosa proposta de estratégia nacional de luta contra a droga.

A estratégia transformou-se em política aprovada em Assembleia da República e foi esta talvez a mais extravagante decisão do segundo Governo de António Guterres. Sócrates até tentou replicar o método no processo de co-incineração, mas essa ainda se revelou uma questão mais fracturante.

Consumo não disparou

Sim, é verdade: há um antes e um depois do dia 1 de Julho de 2001, data da entrada em vigor de uma lei que deixou de condenar a penas de prisão pessoas que consumiam substâncias que eram consideradas ilícitas. Sabemos hoje que as profecias de então não se concretizaram e que, a despeito do que muitos temiam, o país não se transformou numa Meca para os consumidores de droga.

Aprendemos nesta década que as políticas na área da droga não devem ser gizadas em função de posições preconceituosas e dogmáticas. Passámos a aceitar que a questão sanitária se sobrepunha à questão jurídica; que as prisões estavam repletas de pessoas que continuavam a consumir droga ao ritmo com que se propagavam as doenças infecciosas. Nas prisões e fora delas.

Em Dezembro de 2004, Hernâni Vieira, director do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, dizia o que a avestruz se recusava a escutar: "O problema da droga nas prisões resolve-se quando se resolver o problema da droga fora das prisões." E acrescentava, para desagrado dos mais irrealistas: é possível reduzir o seu consumo, mas acabar com a droga não passa de um sonho bem-intencionado.

Sim, aprendemos que o que mais valia era a expansão dos programas de substituição, após um conturbado período de diabolização da metadona; que as políticas de redução de riscos e de minimização de danos eram garantia de mais informação por parte dos consumidores e de menos custos para todos; que as políticas de prevenção deveriam ser cada vez mais sérias e profissionais.

A derrota do proibicionismo

Aprendemos, nestes últimos anos, que a insistência no proibicionismo não teve quaisquer resultados e que era possível equilibrar a redução da procura com as tentativas repressivas de diminuição da oferta; ou que era possível baixar o número de casos de infecções e de mortes por causa da utilização de droga.

Tudo isto teve a particularidade de diminuir o número de reclusos relacionados com posse e consumo de droga; de contribuir para baixar a criminalidade que lhe estava associada nos anos anteriores; e, desta forma, contribuir para um clima social bem mais pacífico.

O balanço, hoje, quase dez anos após a entrada em vigor desta lei, é, obviamente, positivo. No início do século, o país ostentava excessivos problemas de consumo de opiáceos e de infecções e mortalidade associada nos relatórios da agência europeia das drogas (cuja sede Portugal recebeu contrafeito, como se fosse o corolário do seu trajecto junkie na década de 90, mas cujo conhecimento coligido se revelou muito útil).

O elogio europeu

Alguns anos depois, a Europa passou a elogiar o que começou a ficar conhecido com o modelo português - certamente com algum exagero - e que é, neste caso, a assunção do paradigma sanitário, associado a uma contra-ordenação, espécie de recriminação administrativa simbólica, da autoria das comissões de dissuasão. Mas esse tão louvado modelo está por concluir pelas mesmas razões de sempre. Tem sido uma litania preconceituosa a impedir a existência de salas de injecção assistida, como as que existem em vários parceiros europeus, ou a resistir à adopção de programas de prevenção e de redução de riscos nas prisões.

Numa década, o consumidor de drogas passou de criminoso a doente e talvez não falte muito até que seja encarado como cidadão. O aparecimento de associações de consumidores, como a que a Apdes, uma organização não governamental, criou recentemente, talvez seja o que agora nos falte aprender. Agora que até já sabemos onde comprar drogas às quais chamamos legais.

(Fonte Jornal Público de Portugal: http://www.publico.pt/Sociedade/aprendemos-que-nao-era-uma-loucura-descriminalizar-a-droga_1472909?all=1 )