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04 fevereiro 2013

Saudades do Professor



Talvez eu esteja sendo injusto e demasiadamente pessimista, mas ao limiar de dezesseis anos sem o maior dos professores brasileiros, sinto cada vez mais a educação bancária, formando alunos cada vez menos ou nada críticos. A educação lamentavelmente bancária atrai mais investidores que intelectuais, torna-se cada dia mais parte integrante do noticiário de economia do que da cobertura acadêmica.


A antes combativa e de ações vanguardistas UNE (União Nacional dos Estudantes), hoje é mais um apêndice do governo que vive dos regalos e subvenções da classe política ou de “bolsas” dos “empresários” da educação.


Cursinho tal aprovou esse ou aquele em primeiro lugar. Fulana de tal é primeira colocada nesse ou naquele curso, tá, mas e daí? O coletivo, a formação crítica da sociedade, onde fica?


O crescimento do número de brasileiros com nível superior que engordam as estatísticas cresce mais impulsionado pela necessidade do mercado interno apresentar índices para negociar com o mercado externo do que efetivamente pelo interesse em se ter uma sociedade mais crítica formada por indivíduos pensantes.


Saudades do professor dos professores brasileiros, saudades da pedagogia crítica que apregoava a formação da consciência política. Pois o que vemos hoje, são muitos analfabetos de criticidade e autonomia com pós-graduação. Pessoas que se dizem sábios, mas que não leem e o pouco que leem não entendem e muito menos são capazes de construir uma pauta mínima de crítica positiva e produtiva para um mundo melhor.


Doutor Paulo Freire, o senhor faz muita falta. É vergonhoso professor, mas muitos professores e professoras aqui mesmo do seu querido Brasil desconhecem a sua teoria. Infelizmente nesses anos desde sua partida, políticos até que foram de sua convivência tomaram o poder e abriram mais escolas bancárias que vagas em bancos verdadeiramente escolares. 
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” (Paulo Freire)