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21 novembro 2012

“Bandido bom é bandido morto”


Essa máxima é recorrente em programas popularescos de TV, em redes sociais e conversas de bar... Mas, afinal, quem é o bandido? É o ladrão de galinha que depois de puxar cadeia com bandido experiente é cooptado a cumprir missão para o PGC ou para o PCC? Ou bandido é o advogado, o policial, o porteiro que faz vista grossa ao vaivém de informação e tecnologia no presídio?
Seria o bandido a empresa de telefonia celular que consegue deixar todo mundo sem sinal, menos o povo da cadeia? Bandido é o consumidor da droga, da “inofensiva” maconha, da “alegre” cocaína? Não seria bandido, além do vendedor, o consumidor da pirataria? Bandido não é o cúmplice da lavagem de dinheiro que financia tudo isso? Ou bandido é a lei, que alguns dizem ser branda e por isso provoca, sozinha e grudada em um papel, tudo isso que vemos cotidianamente? Já sei, bandido é responsável pela política penitenciária! Ou seria o bandido o eleitor que continua dando votos para quem não tem a menor competência para dar conta da coisa pública? Bandido é o cara que tem boca de jogo do bicho ou é quem joga no bicho, ou os dois? Quem é o bandido, afinal? É algum agente público, político, é o Secretário de segurança, o secretário de Cidadania? Não seria bandido alguém que está em algum cargo de responsabilidade, mas que não entende nada do assunto? Ou bandido mesmo é quem colocou o incompetente no cargo por causa de algum arranjo politiqueiro? Bandido não seria o chefe do Executivo que não consegue utilizar corretamente nem o orçamento público, nem a força do Estado? Ou bandido é o particular que sonega imposto?
Se somos todos inocentes, até que provem o contrário, quem é o responsável, afinal? Quem vai pagar a conta? A frase “bandido bom é bandido morto” é tão ignorante e sem nexo quanto a violência que vemos estes dias em Santa Catarina. Se a máxima “bandido bom é bandido morto” se tornar um imperativo, todos os atos de bandidagem, sejam eles quais forem, deverão ter a mesma consequência. Não que isso seja ruim, mas apenas comprova a ignorância da frase, afinal, bandido é sempre o outro.
O problema que estamos vivendo é um dos sintomas mais perversos da corrupção. Nunca a frase “o que você tem a ver com a corrupção?” foi tão necessária. Estamos no fio da navalha, no limite e, consequentemente, na hora de fazer uma escolha: vamos, novamente, terceirizar a responsabilidade por tudo que ocorre ou vamos assumir o problema e lidar com ele em toda a sua extensão, sem emotivismo, fantasias ou infantilidade?

Samantha Buglione Doutora em ciências humanas, jurista e professora
buglione.s@gmail.com