Essa máxima é recorrente em
programas popularescos de TV, em redes sociais e conversas de bar... Mas,
afinal, quem é o bandido? É o ladrão de galinha que depois de puxar cadeia com
bandido experiente é cooptado a cumprir missão para o PGC ou para o PCC? Ou
bandido é o advogado, o policial, o porteiro que faz vista grossa ao vaivém de
informação e tecnologia no presídio?
Seria o bandido a empresa de
telefonia celular que consegue deixar todo mundo sem sinal, menos o povo da
cadeia? Bandido é o consumidor da droga, da “inofensiva” maconha, da “alegre”
cocaína? Não seria bandido, além do vendedor, o consumidor da pirataria?
Bandido não é o cúmplice da lavagem de dinheiro que financia tudo isso? Ou
bandido é a lei, que alguns dizem ser branda e por isso provoca, sozinha e
grudada em um papel, tudo isso que vemos cotidianamente? Já sei, bandido é
responsável pela política penitenciária! Ou seria o bandido o eleitor que
continua dando votos para quem não tem a menor competência para dar conta da
coisa pública? Bandido é o cara que tem boca de jogo do bicho ou é quem joga no
bicho, ou os dois? Quem é o bandido, afinal? É algum agente público, político,
é o Secretário de segurança, o secretário de Cidadania? Não seria bandido
alguém que está em algum cargo de responsabilidade, mas que não entende nada do
assunto? Ou bandido mesmo é quem colocou o incompetente no cargo por causa de
algum arranjo politiqueiro? Bandido não seria o chefe do Executivo que não
consegue utilizar corretamente nem o orçamento público, nem a força do Estado?
Ou bandido é o particular que sonega imposto?
Se somos todos inocentes, até que
provem o contrário, quem é o responsável, afinal? Quem vai pagar a conta? A
frase “bandido bom é bandido morto” é tão ignorante e sem nexo quanto a
violência que vemos estes dias em Santa Catarina. Se a máxima “bandido bom é
bandido morto” se tornar um imperativo, todos os atos de bandidagem, sejam eles
quais forem, deverão ter a mesma consequência. Não que isso seja ruim, mas
apenas comprova a ignorância da frase, afinal, bandido é sempre o outro.
O problema que estamos vivendo é
um dos sintomas mais perversos da corrupção. Nunca a frase “o que você tem a
ver com a corrupção?” foi tão necessária. Estamos no fio da navalha, no limite
e, consequentemente, na hora de fazer uma escolha: vamos, novamente,
terceirizar a responsabilidade por tudo que ocorre ou vamos assumir o problema
e lidar com ele em toda a sua extensão, sem emotivismo, fantasias ou
infantilidade?
Samantha Buglione Doutora em ciências humanas, jurista e professora
buglione.s@gmail.com