14 dezembro 2008

A natureza não agiu sozinha

“A tendência natural é que os governos falem que a chuva foi o fator preponderante para não assumirem suas responsabilidades” Drª.Beate Frank (professora de gestão de recursos hídricos do mestrado em engenharia ambiental e secretária executiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí).

A causa da catástrofe que deixou milhares de desabrigados e pelo menos 126 mortos em Santa Catarina não pode ser resumida a apenas um fator. Mesmo sem haver um mecanismo para prever deslizamentos, indicativos poderiam ter contribuído para evitar mortes. A falta de informações e de leis e o pouco interesse político em priorizar a área ambiental nos governos são fatores apontados por especialistas como parte responsável pelos desastres.Para a doutora em ciência ambiental e professora de urbanismo Sandra Momm Schult, da Universidade Regional de Blumenau (Furb), os governos têm pouca informação e recursos humanos.Outros problemas são a restrição de destinação de recursos e da atenção para as políticas na área, além de órgãos municipais e estaduais sem condições de fazer a gestão urbana e ambiental.Conforme a professora, nem todas as imposições da legislação federal sobre meio ambiente são consideradas nos planos diretores. As discussões se concentram mais em abertura de ruas e no interesse da especulação imobiliária, diz.Outro alerta de Sandra é sobre a importância de não se tratar isoladamente o curso de um rio porque uma bacia hidrográfica não representa um sistema de limites municipais.
Segundo Beate Frank, o reflexo da chuva no solo é fortemente acentuado pela ocupação humana. Nas áreas rurais, isso sequer é previsto e nas áreas urbanas não se mantém um controle rigoroso para a não-ocupação das áreas vulneráveis. O conhecimento técnico sobre as possibilidades de tragédias, segundo ela, são menosprezados.Beate defende o planejamento regional da questão ambiental. Também é preciso levar mais a sério as inter-relações dos problemas que ocorrem para além das delimitações das cidades.Neste momento, além de planejar, ela propõe que a palavra reconstrução – que sugere os mesmos erros – seja substituída por recuperação. “O desafio é pensar como recuperar a sociedade e a cultura, com uma relação mais respeitosa com a natureza”.

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